domingo, 20 de setembro de 2015

CAPITULO 01

     Chovia forte naquela noite, os ventos pareciam conversar entre as ranhuras da casa de madeira. Eu assustado, estava abraçado ao peito do meu pai, na sala em frente a lareira. Seus olhos demonstravam medo, mas seu sorriso me fortalecia, era a minha fortaleza.
     Na época, eu tinha apenas 11 anos, era magro, branco, e de cabelos mais brancos ainda, que pareciam emitir luz própria. Meu pai era fazendeiro, cabelos negros, alto e moreno, ele vendia frutas e verduras na feira da cidade, que provinha de sua própria plantação. Mamãe era dona de casa, todos os dias ela fazia o almoço para o papai, regrado de legumes, um arroz delicioso, e com variados tipos de carne, que papai trocava por verduras na feira, então, eu e minha irmã íamos ao campo de mãos dadas, ela tinha cabelos negros, diferentes do meu, as pessoas da cidade nos chamavam de milagre de Deus, papai tinha me contado uma vez, que nos encontraram em baixo de uma maçãzeira, a unica arvore que produzia maçã da região. Desde então, nos tornamos uma família.
     Os raios que caiam naquela noite, iluminavam a casa até mais que a lareira, minha irmã, Elizabeth, estava no quarto de cima, com mamãe, ela estava muito apavorada, já passamos por muitas tempestades antes, mas esta, era diferente de todas, tinha se formado do nada, e não era comum estes temporais nesta época do ano. Até que então, naquela noite, tudo mudou. Uma luz branca muito forte percorreu o céu até a janela do quarto da minha irmã, então houve um estrondo agudo, que tinha me desorientado por alguns momentos, meu pai, teria me deixado deitado ao chão, e correu para o quarto, para conferir se estavam todos bem. Quando meu pai começou a subir as escadas, ouvi um grito, era minha mãe, um grito de socorro, conforme fui me recuperando, comecei a levantar e me aproximar da escada. No canto da escada, dava para ver a porta do quarto da Elizabeth, presenciei meu pai abrindo a porta, e aquele mesmo clarão branco que desceu dos céus até o quarto, ainda estava lá, corri para ver o que era, ao encostar a mão na porta, e abrir com cautela, me deparei com o acontecimento que sonda meus sonhos todas as noites, aquele feixe de luz foi se retraindo, até eu conseguir observar um homem, de cabelos longos e loiros, iguais os meus, ele estava segurando minha irmã pelo pescoço, ela aparentava estar desacordada, conforme ia conseguindo enxergar por aquele feixe branco de luz, ia percebendo que aquele homem, usava uma armadura que era justa ao seu corpo, de cor dourada, assim que abri a porta completamente, a dobradiça velha e gasta, ranhou, em questão de milésimos, ele se virou e me olhou, não consegui encarar sua feição, pois seus olhos vermelhos de cor viva me amaldiçoaram naquela noite. Meus olhos começaram a se fechar lentamente, meu corpo já não me correspondia mais, fui entregue, antes de cair ao solo, e perder a consciência, vi os rostos dos meus pais pela ultima vez, eles estavam com cicatrizes em volta dos olhos, deitados ao chão, mortos.